domingo, 7 de março de 2010

Mudei o nome do blog

Atenção, mudei o nome do blog e vinculei a outra conta no google. Estava complicado administrar dois e-mails. Agora está com o título Tempo de Solidão - http://temposolidao.blogspot.com . Ok Deixei tudo no mesmo painel do blog Tempo Acadêmico - http://tempoacademico.blogspot.com

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sexta-feira

Querem acabar comigo. Sexta-feira, aula manhã e tarde. Ninguém merece. Pobres dos meus alunos. Tô liquidada. Só quero um sofá e palpebras pesadas. Ver TV dormindo. Acordar de madrugada e me arrastar até a cama. Acabo permitindo que a cachorra venha junto. Já não terei mais força pra ter autoridade sobre ela. Vamos dar pontapés uma na outra até que ela se ajeite no outro lado dos pés da cama. É a rotina.
Eu deveria estar me preparando pra balada (!), mas nem me imagino cogitando um lugar para ir. Estou aqui olhando o relógio e vendo que a sexta se esvai em seus segundos irreversíveis e me abandona à madrugada do esquecimento. Nem ouso ter lembranças de dias ou noites melhores. Não dá mais, estou cansada demais pra isto. Agradeço este desempedimento de qualquer compromisso neste momento em que o sofá me chama. Tá, já estou indo, vou concluir esta mensagem. Mais uma sexta-feira de silêncio e agradecimento por estar viva e sem dor, o que é mais importante. Nenhuma dor, nem de cima, nem de baixo, nem do corpo, nem da alma. Vivo. Bendito sofá, lá vou eu! Plugs, nugs.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Plugs, nugs

Às vezes as palavras não bastam pra dizer o que sinto. Como agora, plugs, nugs, chechel, miles. Dogs dormindes perto de mim. Plugs, nugs, nel, vides noles, boles, biles. Blá! Zulim, quineu, pinéu. Noles. Bludes dondes mar, mares, mar... ondes? Onda, só, onda, solis. Blues, blues. blues. Plugs, nugs! Ih.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Abraço

Depois de meses um almoço. Abraço estremecido. Mãos trêmulas. Rosto suado. Fala nervosa. Palavras atrapalhadas, empilhadas, ditas como saída do Olímpico em dia de grenal. Ímpeto de coisas as claras. Na mesa prato cheio comido depressa. E a bebida que não vem. Copo com dedos do garçon. Ninguém é perfeito. Mas o abraço foi em modo de A, rápido, pra se ver livre. Muita gente conhecida olhando. O medo na volta, como de gente procurada. Temos que parar de nos encontrar assim. Hi, hi, hi.

Amor amore

Fecho os olhos e a imagem do amado é nítida dentro de mim. Toda a saudade ficou reprimida por tanto tempo. Cruzei seus olhos e vi que poderia ainda estar lá dentro. O preto de seu olhar esconde bem o que sente. Esquiva-se do passado, teme o futuro, segura-se no presente com unhas e dentes pra não perder o rumo. O presente é sua proteção contra o imprevisível, o impensável, o que nega de pés juntos: voltar pra mim.
Eu sou o imprevisível que assombra sua retidão, sua rotina tão certa de eventos sólidos. Ah, quisera poder levar-te o caos no mais sublime tempero de vida. Vida é risco que almeja a paz e vive em guerra. A guerra em teus sentimentos é o prenúncio do retorno inexorável. A paz reside no reencontro com o amor infinito que um dia jogou-se em teu destino. Eu sou teu destino e tu, amado, é meu futuro, se o universo assim conspirar.
Que assim seja.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Que vida boa

O vento chega mansinho e acordo do estado letárgico debaixo do sol. Percebo que o calor intenso não era de um cobertor. Eu dormia no jardim depois das quinze horas. O tempo voou e já nem lembrava onde estava. Eu me esqueci de mim e entrei no mundo dos sonhos. O vento não queria me acordar, mas ele é assim estabanado. É sua natureza, o que se há de fazer? Não fiz caso, deixei que ele me percorresse toda e disputasse minhas sensações com o sol. Quente e fresco, quente e fresco. Fique ali, sem pensar nas horas, sem ligar pro tempo, sem saber o que faria a seguir. Parece fim de estação, o sol já não é tão vilão. Como é bom me perder assim e ficar só existindo, só pedindo mais da vida. Vida boa.

Conheci um 'mascate' jóia

Ontem esteve aqui um mascate indicado por uma amiga. Ele ligou uma hora antes de chegar pra combinar. Quando chegou elogiou muito a casa. É, minha casa é um lugar de que as pessoas gostam. O jardim está bonito e a paz aqui é incomparável. Quando leu o nome da casa: Vivenda Esperança - seguiu pelo caminho do portão até a casa só elogiando e demonstrando ser muito afetivo. Mas não posso esquecer de dizer que desceu do carro com tanta bagagem que comentei que os vizinhos poderiam pensar que estava recebendo um parente que veio de longe.Entramos em casa e ajeitei a mesa da sala para ele espalhar as coisas. Nossa! Parecia uma mala de mágico. Não parava mais de esticar vestidos em cima da mesa. Só gostei de um, preto. Adorei. Bom, pelo menos fiquei com um.Mas o negócio não ficou por aí. Ele arruma as roupas de volta nas duas malas e vai no carro pegar as bijus e jóias. Aí é que não acabava mais. Foi um desfile de objetos que levou o resto da tarde. Foram três horas de conversas e demonstrações ao todo. Nos entendemos bem de saída. Ele é um ótimo vendedor. Disse que agora ele vai cuidar pra que eu esteja sempre nos trinque. Comprei duas pulseiras e um anel de prata.Foi muito engraçado porque gastei mais nas jóias do que na roupa. Iniciei, enfim, um sonho antigo, fazer uma coleção de pulseiras de prata. São lindas!Ele já sabe do que gosto e vai cuidar pra trazer quando nos encontrarmos novamente. Ficou acertado assim. Ele é tão organizado que carrega até aqueles aparelhos pra cartão. Um luxo!Seu nome é Paulinho e seu telefone é 84273480. Ele pediu pra divulgar seu trabalho. feita. Agora vou poder renovar o guarda-roupa sem aquele pânico social de enfrentar o comércio da cidade. Ui..

Um cara viu meu blog!

Até que um dia alguém viu meu blog que não fosse minha sobrinha, a única seguidora. Ou pelo menos alguém disse alguma coisa. Valeu Veloso. Este é o nome do cara legal que gostou e fez eu saber. Isto é muito estimulante. Agora toda a vez que escrever alguma coisa vou ficar torcendo pra que Veloso leia. Mesmo que não comente, claro. Sei que é muito chato ficar comentando cada suspiro que o outro dá. Cheguei a começar a fazer isto logo que comecei com esta mania de blog. Tive um primeiro blog deprimido, mas resolvi mudar e fazer tudo que eu queria fazer. E havia uma garota que dizia alguma coisa e eu me obrigava a entrar no blog dela pra dizer alguma coisa também. Ela diz coisas interessantes, mas depois de algum tempo nossas intervenções não passam de obviedades e delírios em geral.
Agora não vou poder deixar de dar uma corrida nos comentários pra ver se está lá pelo menos 1 comentário. Sei que muita gente lê meu blog, mas gostaria que eles entrassem como Seguidores, porque aí eu teria a ilusão de que visitam de vez em quando.
Mas esta de um cara entrar no meu blog é revigorante, porque afinal levo a vida assim tão só e a visita de alguém interessante como Veloso não é todo dia que aparece. Aí Veloso, tu é o cara!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Estilo

Sem roupas no armário. Tralhas antigas que ficam grandes. Calçolas poídas. Meias furadas. Cheia de sandálias que machucam os pés. Comprar mais roupas. Mas que estilo? Precisa ter? Gosto do preto. Quando disse que iria comprar uma blusa preta, um conhecido me disse, quando eu já me afastava: 'cuidado com o preto!'. Fui pra casa pensando sobre o que ele quis dizer. Será que se trata de um trocadilho? Enfim, não importa. Não deu tempo pra saber por quê. Seja qual for o sentido, gosto de preto.
Preciso comprar roupas, mas a preguiça para ir ao centro da cidade é maior do que a vontade de ter as roupas. Quem me dera ter uma mascate que viesse oferecê-las na porta. Uma amiga disse que tem um que vende roupas bem legais. Ele vem em casa. Que beleza. Quem sabe? Eu estaria feita. Afinal, já tenho uma manicure ótima que até pinta meu cabelo. Até uma fruteira que entrega em casa eu já consegui. Sair de meu refúgio secreto pra fazer coisas que não gosto está cada vez mais difícil.
Quero estar elegante, sem castigos extremos, mas elegante, apresentável, mas daí a ter um estilo já é um grande problema. É por isso que vejo no preto uma boa solução. Ele absorve todas as cores e nos protege de energias negativas. Ai, e como as energias estão duvidosas por aí. Não há uma vez que não saia de casa e não encontre gente deprimida. Acho que é uma pandemia. Dá-lhe preto! Dá-lhe!

Viver de amor

Eu parecia tão certa que enfim aprendera a odiar. Via-me no abandono e cheia de raiva e rancor. Estava preparada para odiar, embora lutasse contra sentimentos de ódio exagerado. Afastava do pensamento maldizeres ao vento com ou sem tempestades. A confusão habitava em mim. Eu que toda a vida construira tantos castelos de paixões, histórias ensaiadas de felicidade e de ternura. Todos os castelos ruíam afinal e eu nem me abalava. Mas desta vez eu não estava preparada. Fui pega de surpresa.
Nos dias seguintes aos desmoronamentos eu abria 'novos editais' e ficava disponível a novos candidatos. Era a consciência de que o amor mora em nós e sempre que necessário plantamos mudas dele em terrenos férteis, para que floreça e nos faça feliz. É um misto de necessidade de compartilhar a vida e fuga da solidão. Ou sei lá.
Mas mesmo sendo capazes de criar estes cenários somos muito distraídos. Quando menos esperamos todos os castelos podem vir abaixo.
Talvez o grande barato de amar seja quando continuamos amando o ex-habitante de nossos castelos. Pois foi o que me aconteceu. Um belo dia, depois de exaurir minhas forças para odiar, havia perdido essa motivação. Meu coração recuperou memórias e só conseguia lembrar que só consegue amar. E daí em diante o amor pelo homem que partiu passou a ser uma boa companhia. Aquele amor do começo, dos momentos felizes e mesmo da crise. Foi um grande amor. E como diz Roberto, um grande amor não morrer assim.
Por mais que o mundo me dê motivos para odiar, o amor é minha base. O amor ainda mora em mim. Eu só sei viver de amor.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pensamentos 2

Perder peso é bom. É como se o mundo saísse de nossos ombros. Comer pouco, coisas seletas, ração humana, racionalizada para manter a energia. Ingestão de emergia, subsistir. Coisas pequenas, limpas, digestivas, cozinha limpinha, geladeira iluminada. Outro ânimo, como se fosse autosustentável. Sobreviveria no deserto por alguns dias? Sei lá, só sei que sinto meu corpo diferente, como se governasse todo ele a um só comando. Vou virar faquir? Acho que não. Tenho muita gordura pra queimar antes de suspeitar disto. A percepção do tônus muscular é que é o grande barato, é como se eu inteira estivesse espalhada pela matéria que me constitui. Não é pra menos que isto pode virar um vício. Isto, a consciência corporal. Uma mente não é mente se não estiver integrada ao corpo que a sustenta com consciência. Meditação e exercício significativo levam a esta consciência. Digo significativo ao exercício realizado quando fazemos alguma coisa que não seja o puro movimento do corpo. É significativo quando limpo a casa, por exemplo, ou quando caminho na praia ou quando arrumo as coisas para por ordem às rotinas que organizo para dinamizar a vida.
É tudo muito bom, mas ainda falta o principal, aprender a respirar corretamente, isto é, lembrar de respirar corretamente. Eu estou descobrindo outra consciência, a mente vivida no meu corpo vivificado. Penso, logo me movimento.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Pensamentos

Difusos, confusos, ensaiados, apavorados, ansiosos. Cachorras correndo no quintal, deu loucurinha, rasgam a última toalha de brinquedo. Não tenho mais toalhas. Já guardei os cobertores, senão não terão o que as aqueça no inverno. Posso botá-las comigo na cama. Cama quentinha, limpinha. Quarto arrumado, um rouperio de cada lado. Luminária nova, tapetes. Livros pra botar no lugar. Poeira, pano úmido, cadeira, escrivaninha. Mãos aquecidas pelo computador. Compra um novo, não tenho mais dinheiro. Gastei horrores com pscina. Grande luxo, uma mandala de água, uma pira. Fogo, jardim, água, vento. Lugar pra meditação. Preciso vencer a preguiça. Tenho feito muita coisa na casa. Tenho me esticado, carregado peso, feito abdominais. Lá se foi o marasmo. Nem lembro mais. Sinto outra dentro de mim. Estranha, mas outra. Descobrir que não sou tão legal assim tem me ajudado bastante. Os sentimentos mesquinhos podem invadir o coração de qualquer um. Passamos a vida achando que somos maravilhosas e acabamos por descobrir que a grandeza é um balão perdido nas nuvens. Aceitar a pequenez talvez seja a grande lição de vida. Aceitar ser nada além de nada e debruçar-se na fofura das nuvens do nada. É um raro prazer...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sites de relacionamentos

Fazia bastante tempo que imaginava como seria porder me corresponder com alguém regularmente. Queria me corresponder com um homem que combinasse comigo. Teria que ser um intelectual, com o mesmo nível de formação acadêmica, nem muito velho, nem muito novo, disposto a pôr a frente da relação o interesse afetivo e de busca de auto-conhecimento. Não sabia como fazer isto. Precisava de um e-mail discreto que não me revelasse assim tão facilmente. Isto na minha idéia de uma boa medrosa do ridículo. Enfim decidi fazer isto. Criei o e-mail e peguei o primeiro site que encontrei e fiz minha inscrição. Estava tentando colocar a foto e resolvi dar uma olhada nos pretendentes.
Uau! Nada contra as pessoas, porque não as conheço, mas a aparência e descrição deles e do que pretendiam me assustou. Ou eu era muito velha, ou me achava nova demais para alguns carrancudos, quase bandidos. Estou ciente que não sou nenhuma beldade em plena juventude, mas ainda me vejo como fui. Meu coração é jovem e quero continuar assim. Constatei que os homens disponíveis nestes sites têm um nível escolar de 2o. gruau incompleto! O que mais impressiona é a sinceridade em dizer que não gostam de ler. Por mais que me esforçasse sei que não teria assunto com eles. Eu quero me perder em digressões e não ter medo de enveredar-mos para a sensualidade, mas o intelecto para mim é fundamental. Parafraseando Vinícius de Moraes, eu diria: Que me perdoem os burros, mas intelectualidade é fundamental! Eu fiquei muito impactada e me vi num mato sem cachorro. Queria sair dali correndo.
Imaginei que os outros sites não seriam diferentes, já que este estava entre os mais acessados. Eu me vi fora da casinha, do planeta. Na mesma hora pensei naquela expressão que tenho usado quando me sinto assim: 'Tragam o catálogo dos outros planetas recém descobertos que vou comprar uma passagem para um deles'. Partiria naquela hora mesmo e sem olhar para trás. Eu me senti ridícula e injuriada com esta carência de interlocutores. É como se tivesse que desistir da interlocução finalmente.
Quando se experimenta a interlocução com alguém que se torna uma pessoa especial para a gente é muito difícil aceitar outros padrões. Eu já experimentei isto. É divino. Será que os homens estão se transformando em seres medíocres? Será que nunca mais vou encontrar alguém que possa me preencher no verbo, na criação, na cama, na lealdade, na amizade para sempre?
Tratei de deletar minha inscrição, mesmo depois de ver a minha frente vária telas de questionamentos do administrador, perguntando: 'Tem certeza que você não quer ficar neste site, aqui já ocorreram muitos namoros!' Fui implacável, cliquei na opção: 'Não encontrei ninguém interessante!'.
Talvez eu também não seja interessante para eles. Tudo bem. Isto eu consigo aceitar. O que eu não suportaria é que encontrasse alguém interessante e ele me rejeitasse, porque a frieza dos padrões elaborados assusta. Nem sei se isto aconteceria, saí antes de experimentar mais uma trajédia.
Aos poucos percebo que estou me especializando em anti-sociabilidade. Enfim, serei a heremita que sempre quis ser. Enfim, serei eu mesma a vovó Donalda. Só espero poder continuar a ler e escrever sobre a vida que experimento. Talvez seja a melhor coisa a fazer, afinal de contas.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dieta da solidão

Já experimentei estes momentos ao longo da vida, nestes 53 anos, e nem sempre reconheci o valor como o tenho feito agora. Viver sozinha tem seus momentos. É claro que o dilema entre viver só e acompanhada se evidencia quando pensamos nas perdas e ganhos da vida a dois. Mas quero falar da dieta da solidão. É verdade mesmo que quem vive só, só come quando tem fome. E saber organizar a vida em torno disto é muito legal. É preciso ter em casa aqueles alimentos fáceis de preparar ou simplesmente pegar na geladeira ou no armário e consumir sem nenhum preparo prévio que demande muito tempo antes da fome. Pensando nisto, adotei a dieta mediterrânea com aquelas sementes todas, cereais e castanhas e sucos de frutas frescas, peixe, muita água mineral, água de côco geladinhas. Carne, uma vez ao mês; mais que isto é exagêro, mas até pode acontecer uma vez por semana. A cozinha está sempre limpa e sobra espaço na geladeira. A rotina alimentar, como o resto da lida doméstica, transcorre sem estresse. Acredito que a questão da alimentação é um dos fatores de muito estresse na vida vivida em família. Aquela história de ir ao supermercado e perambular com o carrinho cheio de coisas e depois ter que chegar em casa, descarregar tudo e guardar. Ui, sempre abominei isto. É claro que sei que muitas famílias no mundo gostariam de ter este trabalho ao invés de passar por necessidades. Talvez a minha abstinência alimentar suavize o meu desdém, sabendo da situação delas. Solidarizo-me com a situação do mundo, mas não deixo de ser uma pessoa com identidade própria e abnegada pela condenação à liberdade, como diria Sartre. É, a dieta da solidão também tem me oportunizado voltar a ler escrever. Leio a qualquer hora e em qualquer lugar da casa sem importunar ninguém e sem ser interrompida nos meus devaneios. Isto não tem preço e não há cartão de crédito que pague. Há muitas coisas que não têm preço vivendo-se uma dieta da solidão, como ir dormir na hora em que se quiser e acordar a qualquer momento e acender a luz sem perturbar ninguém. Pode-se inclusive perder o sono e decidir fazer coisas pela casa sem parecer um camundongo esperto. Eu não posso esquecer da validade da dieta da solidão. Talvez eu tenha nascido para viver nesta dieta e por isso não tenha conseguido manter casamentos baseados em assumir papel de esposa de alguém. Eu não nasci pra ser esposa, embora adore estar apaixonada. O problema é que toda a vez que me apaixono, me perco dessa memória. Simplesmente esqueço que a dieta da solidão, para mim, é o melhor caminho para a liberdade. Talvez eu devesse fazer um anúncio para encontrar alguém que usufrua da própria liberdade e admita uma dieta da solidão estando junto.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Perdão pra ser feliz

Hoje acordei de um sonho místico. Sonhei que estava banhada de perdão. Meu coração pressentiu que meu lado direito do cérebro havia funcionado mais. Talvez porque meu lado esquerdo tenha sofrido danos graves depois de minhas últimas peripécias cirúrgicas. Conta-se que o lado direito não é muito utilizado e talvez ali esteja o que o ser humano precisa desenvolver mais: capacidades de transcender a sentimentos e razões já conhecidas. Eu estava banhada de uma paz indescritível. Foi muito interessante porque assisti a uma entrevista ontem sobre uma mulher neurocientista que sofreu danos temporários no lado esquerdo do cérebro, precisou reaprender a falar e a se movimentar, porque ficou paralizada, e experimentou sentimentos de paz nirvânica. Acho que fui dormir acreditando que preciso reencontrar esta minha capacidade de estar em paz e repleta de tolerância, porque só assim posso ser feliz. Quero me embriagar de perdão até que as lembranças me esqueçam.
As coisas em minha vida têm se acomodado de um jeito tão legal nos últimos dias, apesar das tormentas de um passado recente e de problemas domésticos em processo de resolução, que sei agora que o que me resta é me preencher de perdão e tolerância com as outras pessoas. Isto não significa que possa aceitá-las novamente em minha vida, mas que elas possam desabitar meus pensamentos, meus sentimentos, meus sonhos, meu dia-a-dia, meu futuro. O sentimento de perdão talvez seja mais sublime do que o amor. Eu quero me banhar de perdão e esvaziar minha banheira de lágrimas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pensões, vínculo maldito!

Tem chegado ao meu conhecimento que esse negócio de pensões alimentícias tem se tornado a coisa mais indigesta do fim de um casamento. Ainda bem que nunca precisei disto. É mais um motivo para reconhecer que minha vida é boa, já que o desastre de meu último casamento e separação não me deixaram esta pendência. Mas penso nas mulheres e filhos de alguns safados que andam por aí. O pior não é depender dos proventos que o indíviduo tem o dever moral e legal de dispor, mas de ter que entrar na peleia por causa disto, não bastasse o trauma da separação a ser vivenciada pelos filhos. Acredito que a única saída dessa situação é cortar o vínculo imediatamente, declinar da ajuda, mandar às favas, riscar do mapa, encontrar outro jeito de sobreviver.
Não deixar de acionar juridicamente, claro, mas deixar que um defensor público, outra pessoa que seja lide com a situação. Não fazer contato de nenhuma forma a não ser através de um advogado. Para mim, nestes casos, a maior vingança é ser feliz, tenho ouvido por aí. Em um de meus casamentos eu poderia ter exigido pensão para meu filho, mas declinei só pra não ter vínculo.
Muitas vezes um homem consegue acabar com a autoestima de uma mulher de tal maneira que ela pensa que não poderá fazer mais nada sem ele. Não poderá produzir, se sustentar, se colocar no mercado, ser amada, ser bonita, resgatar a sua jovialidade, a sua ternura, a sua esperança. Mas eu diria a essa mulher que ela não pode desistir de si mesma. Que a melhor maneira é cortar o vínculo. Um homem que não reconhece que deve sustentar seus filhos, seja de que casamento for, é um vampiro na vida de uma mulher. Ele continuará a sugar as energias dela mesmo fora do casamento: através da decepção de seus filhos. Essa mulher deve ir à luta, nem que seja por raiva. Há muitas formas de ganhar dinheiro. Quando olhamos para nós mesmas descobrimos que temos muitas habilidades e às vezes nem sempre um curso superior será a única saída. O mercado hoje tem diferentes demandas e a busca de qualidade de bens e serviços. Terá vez aquela pessoa que buscar o seu diferencial. Este diferencial lhe ajudará a sobreviver e a se reencontrar com a sonhadora que um dia, com certeza, já foi.
De lambuja eu diria que depois de ter sido casada quatro vezes, ainda bem que os casamentos terminam!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Inspiração, volta!

Ai, estou preocupada demais com a ausência da inspiração. Quando penso que ela voltou, me empolgo e logo constato um punhado de mediocridade. Escrevo coisas apressadas, sem nexo. É como se estivesse bêbada quando as escrevesse. Sei que é a carência de inspiração. Começo a ficar com medo que tenha chegado ao esgotamento da lucidez. Sempre fui tão lúcida, tão convicta de meus pensamentos, mesmo quando precisava revê-los mais tarde. Mas espera um pouco. Em tempo, percebo que na verdade o que me falta é amor. Acho que não sei viver sem amar. Não basta a empolgação com projetos, que não envolvam o amor. Acho que já estou pronta pra voltar a amar. É isso! Claro! Como é que não pensei nisso antes? Eu sou do amor e não há mágoa ou desilusão que me impessam de ser do amor. Aliás, como disse Livia Garcia-Roza [escritora e psicanalista], hoje pela manhã em entrevista, 'a libido nunca envelhece'.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mudas delicadas de pitangueira

Descobri uma coisa bem legal em meu jardim. A pitangueira estava rodeada de mudas. Poucas semanas antes havia reparado que as pitangas haviam sumido. Imaginei que os pássaros inquilinos teriam comido. Pois se comeram deixaram ali mesmo os carocinhos. As mudas se esguiam vigorosas quase como um adorno ao redor da pitangueira. Lembrei que quando menina eu costumava enfeitar a casa com galhos de uma pitangueira que tínhamos no quintal de nossa casa. Além do perfume suas folhas são vivas e brilhantes. Admirada com a beleza daquele presente vi ali a oportunidade de reservá-las para as crianças da escola onde desenvolvo um projeto com estagiários do Curso de Física. Nossa proposta é de identificar problemas socioambientais e propor soluções simples com conhecimentos da Física. As pitangueiras podem ser as mudas de árvores que vamos sugerir que plantem para a redução da emissão de gás carbônico para a atmosfera. Fiquei feliz em constatar que as mudas que lhes ofertaremos terão uma história delicada. Ainda sobraram mudas. Estas reservarei para os visitantes de meu jardim.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Medo de perder a ternura

Às vezes me pego pensando em mágoas recentes. Ainda bem que já aprendi a lidar com as mais antigas. Mas as recentes me invadem com tanta força que tenho medo de perder a ternura. Desde menina eu sempre lutei para não perder a ternura que plantei quando ainda nem sabia o que vim fazer aqui. Hoje que começo a compreender a minha missão: viver os limites de meu potencial mais humano, sei que a maior provação é não perder aquela ternura apesar de todas as decepções. A cada dia exercito minha capacidade de amar o mundo e minha meta é de amá-lo tanto ao ponto de esquecer de mim e das agruras que me abatem quando estou desatenta. A descoberta de que a ternura é minha motivação vital recria-me a cada segundo quando inspiro e expiro a crença em dias melhores. Tudo o que mais quero é recuperar minha crença no ser humano e voltar a acreditar no amor mútuo. Preciso me agarrar a isto para não perder a ternura. Ah, como tenho medo de perder a ternura. E é esta consciência do medo que me resgata de qualquer tristeza, de qualquer desesperança. Ah minha ternura, mantenha-se firme e renove-se para ficar mais forte e impenetrável.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Lugar de haitiano é no Haití!

O que posso fazer pelos haitianos é orar por eles. Quero que a vida se ajeite e que cada um tenha esperança para resistir às intempéries que a natureza lhes impõem, a humana e a não-humana. É claro que eu gostaria de trazer algumas crianças, órfãos, para minha casa e mimá-las com minha capacidade de amar. Seus olhinhos de socorro me comovem, mas o lugar delas é em seu país, em seu chão. Tudo já lhes foi negado, que não seja negada a sua territorialidade. Se vamos ajudar esse povo que seja lá em sua terra. E se vamos realmente ajudar que seja a partir da recuperação ou criação da autoestima e autoconfiança para gestar a própria vida. Eu oro muito pelos haitianos. Oro pela preservação de sua nacionalidade, pela criação de novos modos de vida e pela infinita capacidade de amarem-se mutuamente para resistir ao que só um haitiano pode saber, que é viver sem governo. Que o lugar dos haitinos seja preservado para os haitianos. Lugar de haitiano é no Haití!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Um corpo está sendo procurado

'Um corpo está sendo procurado'. Foi isto mesmo que disse a reporter ao anunciar que uma pessoa estava sendo procurada depois de um deslizamento em Angra dos Reis, recentemente. Não posso esconder a minha idade quando chego à conclusão de que isto só pode ser coisa de jovem, sem experiência em humanidade. A pessoa desaparecida em questão deve ter um nome, uma identidade, filiação, sexo, idade e coisas do tipo. Certamente que habita um corpo, mas este não a identifica de pronto. Este tipo de procedimento noticioso se repete diariamente. As diversas maneiras com que a mídia se refere às pessoas envolvidas em incidentes, acidentes e tragédias me levam a pensar que não somos mais sujeitos de nada, nem de nossas tragédias. Muito menos delas, ao perdermos o domínio sobre nossos corpos e mentes viramos um objeto de especulação midiática. Sei que isto não é um espanto exclusivo meu. Já li outros comentários na mesma linha desta indignação. O mundo está em pleno reboliço catastrófico e as pessoas morrem como moscas. Tornam-se apenas números e coisas [corpos] de um caos para o qual não estávamos verdadeiramente preparados apesar das profecias milenares. Corpos estendidos no chão se acumulam dia após dia. Falar de corpos talvez seja uma forma de suportar o medo e nos prepararmos para dias mais tenebrosos. Ficamos a pensar quando estaremos entre os corpos procurados e a rezar que sejamos encontrados com ou sem vida.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Duendes e sapos no jardim

Nem quero saber se é brega ou superstição, mas quero muitos sapos e duendes no jardim. Já tenho um sapo de pernas compridas entre as pernas de uma árvore. O tronco dela se abre em dois e no meio visualizei o lugar para sentar o sapo sentado que comprei num daqueles dias que se vai à floricultura em busca de alguma coisa que não se acha e nos deparamos com um sapo perdido querendo ser levado. E ainda paguei caro pelo novo amiguinho. Tentei conseguir um desconto porque ele estava com um arranhão, mas ele parecia entender do que falávamos e temi que se magoasse. Fui logo dizendo está bem, vou levá-lo. Mas o seu antigo dono pareceu sentir o mesmo que eu e na hora de acertarmos a conta deu o tal desconto. Saimos de lá, o sapo e eu, prontos para formar uma boa parceria de superstição ou quem sabe de uma fantasia que nos sustente a alegria e a ternura que preciso para viver. Ainda não encontrei os duendes que procurava, quando encontrei o sapo, mas continuo à procura de um bom duende que queira habitar meu jardim. Por certo que há um lugar especial aguardando por ele. Mas também não quero qualquer duende. Não me venham com anões da branca de neve. Quero um duende legítimo com aqueles gorros pontudos e de olhar penetrante. Se não for assim não combinam com minhas fantasias. Até que encontre um bom duende vou cuidando do sapo em meu jardim.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Ego super ego

Doida de mim querer me esquecer. Como pude esquecer de me dar toda esta atenção que me dou agora? Não sei aonde estava com a cabeça. Em tempo me descubro tão importante pra mim mesma. Vivo tão bem com os meus próprios grilos. Nem sei por onde começar as várias tarefas que me dizem respeito todos os dias. Nem chego a concluí-las em tempo antes de dormir. Aliás, antes de dormir a hora que eu bem entendo. Hoje é domingo e já fiz tanta coisa que poderia dormir o resto do dia. Dormir sem hora pra acordar. De certo que não desprezaria uma visita chegando de surpresa, embora prefira que avisem, mas o dia está repleto das coisas de mim. Acho que mereço este meu tempo. Fico horas a pensar em nada e a decidir se faço nada agora ou depois de algumas horas de indecisão. Faço várias coisas ao mesmo tempo. Leio, escrevo, penduro roupas que a máquina lavou, vejo o ph da psicina, ligo a cascata e fico ali admirando o feito, a água indo e vindo, apreciando a farsa da natureza que inventei pra ter o meu recanto. Cá estou a beira de meu jardim secreto. Não me arrependo deste investimento mais de tempo do que de grana. É tudo muito simples, sem exageros materiais, mas é um refinamento de meu esforço de joana de barro. Depois de esgotar-me de ego, talvez encontre algumas crianças por aí que queiram viver aqui. Eu só abdicaria desta egocentricidade pelas crianças. Somente elas poderiam me roubar atenção.